Ambientalistas se encontram em vídeo-conferência sobre a COP 15
O ator e ambientalista Victor Fasano conversa com o Ricardo Mesquita,
Vice- Presidente da Associação Preserve Amazônia

Foto: Associação Preserve Amazônia
Através de vídeo-conferência realizada por iniciativa da Comissão Mista de Mudanças Climáticas e do Gabinete do Senador João Durval (PDT/BA) o ator e ambientalista Victor Fasano, representante do Movimento Amazônia para Sempre conversou diretamente de Copenhague com o Vice-Presidente da Associação Preserve Amazônia, Ricardo Mesquita, em Brasília.
O debate que contou com o apoio do Senado Verde, da Comunidade Virtual do Poder Legislativo – Interlegis, da Associação Preserve Amazônia e do Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável – EUBRA e seus parceiros Embrapa e DNOCS teve como principais assuntos o pagamento de serviços ambientais, a inclusão da problemática ambiental na política do país e a representatividade do terceiro setor na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – COP 15.
Esperançoso que o ano de 2010 seja um ano de ação, Ricardo Mesquita, Vice-Presidente da Associação Preserve Amazônia afirmou que a presença dos três futuros presidenciáveis na COP 15 trouxe uma mudança no discurso político do País. “Com a inclusão do tema meio ambiente nos discursos políticos brasileiros, teremos a possibilidade de uma mudança, o que proporcionará um momento de aprimoramento do conceito de pátria e de coletivo. Temos um plano de estado, mas precisamos de um plano de nação. Tomara que essas eleições ressuscitem nossa Pátria”, pontuou Mesquita.
Já o ator e ambientalista, Victor Fasano ao defender o desmatamento zero para o ano de 2016, ano em que o Brasil sediará as Olimpíadas e as Paraolimpíadas, afirmou que os brasileiros não querem mais produtos, políticas e atitudes que contribuam para o aumento do desmatamento no Brasil. Fasano destacou ainda o pronunciamento da Senadora Marina Silva no qual ela apontou que além desse debate sobre as mudanças climáticas precisamos descobrir uma nova maneira de ser e consumir, uma nova sociedade.
Quanto ao pagamento de serviços ambientais o ator considera que outros países precisem mais do REED que o Brasil, pois para ele com esse mecanismo as reservas naturais passaram a ser um bem ambiental mundial. “Com o REED, o meio ambiente será tratado como negocio, para os ambientalistas tanto faz o meio ambiente ser preservado com negócios ou sem negócios, o importante é a proteção das matas, das florestas, das biodiversidades e da cultura dos povos nativos e originários da floresta” desabafou Victor Fasano.
Segundo Mesquita a partir de um inventário global do patrimônio ambiental que ainda resta, o Brasil e outros países passaram a ser detentores de riquezas incomensuráveis, o que desequilibra um pouco o jogo econômico, o que para ele indica que ainda há interesses em manter essas riquezas desqualificadas e a margem do processo.
“O processo de industrialização onde o desenvolvimento de tecnologia passa a ser o valor de referência, as tecnologias e a importância delas passam a ser referências em detrimento desse chamado patrimônio natural. A Amazônia presta serviços para todos os países, uma interdependência fantástica, mais isso ainda não foi traduzido em valores econômicos”, destacou o Vice-Presidente da Associação Preserve Amazônia.
Sobre a representatividade das ONGS Brasileiras em Copenhague ambos demonstraram satisfação e ressaltaram a atuação e o trabalho integrado bastante interessante que vem sendo realizado. Para Ricardo Mesquita antigamente não ocorria essa aproximação das organizações não-governamentais com a iniciativa privada, com o Governo e com as instituições científicas, em sua opinião as coisas estão mudando e as negociações estão se afinando.
Ao citar a última frase do Manifesto Amazônia para Sempre “É hora de enxergar nossas árvores como monumentos de nossa cultura e de nossa história, porque nos somos o povo da floresta”, Victor Fasano ressaltou que a última grande reunião desse porte foi a RIO 92, e que nesse momento parece que todas as nações participantes estão conscientes da missão desta Conferência, mas ressaltou que sem a atuação dos governantes o acordo não será tão positivo como todos desejam. |